EM QUE AS ARTES MARCIAIS MISTAS (MMA) SE OPÕE ÀS AUTÊNTICAS ARTES MARCIAIS | CAPESP – Centro Associativo dos Profissionais de Ensino do Estado de São Paulo

EM QUE AS ARTES MARCIAIS MISTAS (MMA) SE OPÕE ÀS AUTÊNTICAS ARTES MARCIAIS

POIAN
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A luta corporal deve ser quase tão antiga quanto nossos ancestrais homo-sapiens, que desde seus primeiros momentos na terra se viram obrigados a enfrentarem desarmados: as forças hostis da natureza, animais selvagens e inimigos entre seus semelhantes humanos. Naquela época, há milhares de anos, era um verdadeiro combate “vale-tudo” comandado por um instinto de sobrevivência individual e posteriormente a um instinto de sobrevivência em que o indivíduo percebia a si mesmo mas também o seu grupo ou sua espécie.

Hoje em dia quando falamos em artes marciais estamos nos referindo a todos os sistemas de combate de origem oriental e ocidental, com ou sem o uso de armas tradicionais.

Arte marcial é um termo ocidental e latino referente às artes de guerra e luta. Este termo surgiu em relação ao Deus da guerra greco-romano Marte. No oriente existem outros termos para a definição destas artes, como Wushu na China, Budo e Bushido no Japão que significam respectivamente artes da guerra, caminho das artes marciais e caminho do guerreiro.

Em todas as civilizações temos exemplos de artes marciais, mas algumas apresentam diferenças fundamentais. No ocidente as artes marciais estão vinculadas unicamente a sistemas de luta e defesa pessoal ao contrário do oriente que possui um sistema filosófico fundamentado culturalmente em crenças e religiões favoráveis ao desenvolvimento humano que preparam o praticante físico e espiritualmente. Como exemplo temos o Budismo, o Taoísmo e o Confucionismo ligados às praticas de Kung Fu e Tai Chi Chuan.

Muito diferente dos orientais, nós ocidentais infelizmente não tivemos e não temos uma valorização sócio-histórico e cultural da nossa marcialidade, um grande exemplo deste fato é a capoeira no Brasil que por muito tempo foi considerada subversiva e sua pratica era proibida e duramente reprimida. E também no ocidente a religião dominante era a primeira a criar uma barreira às artes marciais, pois afirmava que somente o espírito deveria ser valorizado e cultivado.

Muitas artes de combate desenvolveram-se como um legado histórico e cultural tendo se originado no campo de batalhas em períodos específicos de conturbações sociais e posteriormente formalizadas como artes marciais adaptadas ao seu tempo. Muitos mestres dedicaram-se a vida toda a criar uma arte marcial que fosse ao encontro das necessidades do chamado mundo moderno.

Atualmente o Judô, o Karatê, o Aikido e o Kung Fu são algumas das artes marciais mais praticadas no mundo. O Judô e a sua máxima eficiência com um mínimo de esforço, o Karatê e a idéia de transformar suas mãos e pés em espadas, o Aikido com o conselho constante de tornar-se unificado com a natureza e o Kung Fu que exige o domínio de forças primordiais, grande concentração e a capacidade de evocar o animal interior, representam os principais enfoques pelos quais essas artes são conhecidas.

O treinamento do Judô acreditava Jigoro Kano (1860-1938), ajudaria a pessoa a se tornar mais alerta, mais confiante, mais decidida e mais focada. Ainda mais importante, o Judô era visto como provedor de um referencial para que o praticante aprendesse a aplicar outro dos princípios essenciais: ajuda e cooperação mútua. Aplicados nas relações humanas, os princípios do Judô – diligência, flexibilidade, economia de energia, boas maneiras e comportamento ético – seriam de grande benefício para todos.

Na mesma linha que Jigoro Kano, uma das coisas que o mestre do Karatê Gichin Funakoshi (1868-1957) sempre dizia aos seus alunos era: “aquele que pensa só em si mesmo e não considera os outros não está qualificado a aprender Karatê”. Ele descobriu, ao longo dos anos, que os estudantes sérios das artes marciais são sempre muito atenciosos um com o outro. A grande firmeza de propósito é essencial para continuar o estudo do Karatê durante todo o período de tempo que ele exige.

Para o mestre do Aikido Morihei Ueshiba (1883-1969), o essencial é a busca da perfeição como ser humano, física e mentalmente, através de treinamento cumulativo com espíritos gentis. Quando esta qualidade existe ela está além de qualquer cultura ou época específica. Ele conclui com sua arte que: “O verdadeiro espírito e caminho das artes marciais não se encontra numa atmosfera competitiva e combativa, em que a força bruta domina e o objetivo maior é chegar à vitória a qualquer preço”.

No oriente, os primeiros estudiosos das artes marciais compreenderam que o projeto da natureza inclui uma enorme força. Houve tempo em que tigres vagavam entre as montanhas e florestas da China. Os primeiros mestres de Kung Fu tentaram desvendar seus segredos de tenacidade e potência. O tigre persegue sua presa sob certa distância e pacientemente se aproxima dela. Com todos os seus sentidos precisamente sintonizados o ataque é marcado por um bote rápido e agressivo. No momento do impacto o tigre lança todas as suas armas em perfeita coordenação. Esta mesma estratégia de força bruta e intensidade são empregadas pelo mestre de Kung Fu que treina imitando o tigre.

Os vários estilos de animais praticados no Kung Fu enfatizam caracteres diversos, são ênfases diferentes. As batalhas que ocorrem na natureza são adotadas como uma força a mais para o Kung Fu. A disciplina conduz a força, a perfeição decorre da concentração absoluta, na medida em que reconhecemos nosso vínculo com o mundo animal qualquer criatura grande ou pequena pode se tornar uma fonte de inspiração e nos ensinar a liberar a energia que temos dentro de nós.

Agora gostaríamos de citar alguns aspectos da filosofia de um respeitável e importante mestre de Kung Fu e Tai Chi Chuan. Estamos falando do mestre Chiu Ping Lok, também conhecido como mestre Lope. Nascido na província de Cantão, ao sul da China aos quatro anos começou sua prática na arte marcial chinesa do Kung Fu. Em 1961, com apenas 24 anos chegava ao Brasil contando somente com o apoio de um tio. Com muita dificuldade, mas com muita força de vontade, o jovem chinês teve que superar o choque cultural inevitável entre os dois extremos do mundo.

Mestre Lope foi o criador do estilo Fei Hok Phai (estilo da garça em vôo) e um dos precursores do Kung Fu no Brasil. Ele dizia que a prática dessa arte marcial daria aos alunos maior confiança, promoveria uma atitude mais adequada na sociedade, ajudaria na longevidade e manutenção da saúde física e mental, além de auxiliar no aprimoramento profissional.

Segundo mestre Lope, sua academia representa uma organização que visa, antes de tudo, a mais alta qualidade de ensino das artes marciais e preparação para a vida. Mestre Lope sempre fazia questão de afirmar que preferia um número mais reduzido de alunos realmente dedicados e respeitosos à arte do que um grande grupo disperso e desinteressado.

Para mestre Lope, o aluno, ao aprender arte marcial, estaria fazendo um investimento espiritual para si mesmo, ou seja, entraria num processo de auto-desenvolvimento ou crescimento interior que certamente trariam benefícios à nossa sociedade. Ele sempre expressava: “Uma disciplina milenar e testada pelo tempo como o Kung Fu não pode ser tratada como mercadoria”. 

Outra grandiosa referência para todos nós é a de Miyamoto Musashi (1584-1645) que viveu no Japão em um dos momentos mais conturbados de sua história. Musashi Sensei, como é chamado até hoje pelos alunos de seu estilo, nasceu em uma família samurai e desde a infância dedicou-se ao aprimoramento pela arte da espada, o Kenjutsu. Seu primeiro professor foi seu pai, Shimen Munisai. Da maioridade até o final de sua longa vida aperfeiçoou seu próprio estilo, por meio da experiência de combate.

Musashi Sensei foi uma lenda em seu tempo. Ignorando as convenções, ele preferia uma espada de madeira e em seus anos de maturidade quase nunca lutou com uma arma autêntica. Era mestre em pegar seus oponentes com recursos psicológicos exaustivamente estudados, dominou com perspicácia a psicologia e a tônica do combate.

No auge de seus poderes, começou a se aprimorar artística e espiritualmente, transformando-se num dos mais respeitados pintores a nanquim e notável praticante de caligrafia tradicional, de poesia e da cerimônia do chá.

De tão rico e sutil, os ensinamentos de Musashi dificilmente podem ser desprezados. Mas por tratar de questões como respeito, perseverança, coragem, paciência, retidão, auto-conhecimento, desenvolvimento humano, direitos e deveres de cada um e a necessidade de uma pessoa buscar coerência entre o que diz e o que faz, suas lições, como a de Confúcio, tornam-se um contraponto fundamental no mundo de hoje, de decadência de valores éticos e morais.

A via ensinada pelos verdadeiros mestres de artes marciais implica em compreender que não estamos lidando apenas com movimentos, golpes ou técnicas de combate, mas com os princípios sobre os quais atuamos e praticamos. Musashi, Kano, Funakoshi, Ueshiba, Lope entre outros grandes mestres nos ensinaram que a arte marcial bem conduzida moralmente e espiritualmente serviria para a evolução da humanidade.

Todas as artes marciais fazem parte, originalmente, de um sistema completo de aprendizagem, cujo derradeiro objetivo consiste em transformar radicalmente a própria existência do praticante. Embora com muita freqüência se ignorem, subvalorizem-se ou se menosprezem por inteiro estas raízes, a dimensão espiritual constitui a essência das artes marciais.

Nesse sentido, a luta, o treinamento sistemático das técnicas e o confronto direto entre oponentes que se enfrentam fisicamente, transforma-se numa bússola para a vida. Buscar a melhor solução possível para um problema pessoal, aprimorar-se profissionalmente, reeducar seu Ego no sentido de abrir mão dos antigos vícios, recolocar energias em atitudes de vital importância, ampliar conteúdos culturais, reconhecer seus defeitos e fraquezas, respeitar a natureza, aprender a aprender e transferir a aprendizagem, concentrar-se nas suas potencialidades e desenvolvê-las e procurar uma falha na guarda de um oponente por onde é possível aplicar-lhe um golpe  preciso são, surpreendentemente, situações análogas.

Agora vejam que situação o homem-moderno se encontra com estes eventos de MMA: “retornamos à pré-história sem a razão conquistada e a mercê dos instintos com direito a torcida (milhares de simpatizantes que se identificam) e tudo mais que este mercado consumista da luta (UFC) oferece com o seu marketing”.

Para muita gente MMA (Artes Marciais Mistas) e Vale-Tudo se tornou a mesma coisa e já esta fazendo parte de nossa cultura. As lutas continuam sendo violentas, brutais e quase todas sangrentas. Este tipo de luta já chegou a ser chamada de “rinha humana” ou “briga de galo humana”.

Os lutadores de Artes Marciais Mistas utilizam um grande número de técnicas que envolvem os mais diversos conhecimentos oriundos de artes como o Jiu Jitsu, Muay Thay, Karatê, Boxe, Kung Fu, Luta Olímpica, Wrestling, entre outras. É uma verdadeira confusão de estilos que no nosso entender faz com que o praticante não aprenda e não siga nada direito colocando-o distante daquilo que é essencial nas artes marciais.

Tudo começou em 1993 nos Estados Unidos com o Vale-Tudo, que é uma modalidade de luta com total contato entre seus participantes. Nos campeonatos ou torneios não era necessário seguir um único estilo de arte marcial. Por exemplo: um lutador de Judô poderia lutar com um do Kung Fu e um lutador de Boxe poderia lutar com um do Muay Thay. Esta modalidade (vale-tudo) ficou conhecida no Brasil através da família Gracie que se destacaram nas lutas pela eficácia técnica de seu Jiu Jitsu.

A organização que mais promove lutas de MMA é o UFC (Ultimate Fighting Championship) que antigamente não aplicava algumas regras existentes na atualidade como, por exemplo, o limite de tempo das lutas. No Japão, do grande samurai Myamoto Musashi, chegaram a promover vários eventos. Os principais foram: “Open Japan Free Style” e o “Pride Fighting Championships” que já destacou muitos lutadores de inúmeras categorias de artes marciais.

O ringue onde acontecem os combates selvagens e deseducativos do MMA é denominado Octógono, que é um colchão de lona octogonal (com oito lados) dentro de uma jaula ou gaiola onde existem duas portas de acesso, que são fechadas no começo de cada round.

Sujeitos do mundo dos negócios (vampiros capitalistas até a medula), donos de cassinos e um promotor de lutas de Boxe, são os proprietários da marca UFC, ou seja, pessoas que não tem nenhum vínculo ou história no mundo das artes marciais e com nenhum comprometimento com o conteúdo televisivo veiculado estão no comando deste verdadeiro processo de distorção de valores das milenares artes marciais.

Portanto, no momento em que a sociedade brasileira se encontra, não devemos negar a crescente importância que a televisão vem assumindo como um forte papel coadjuvante no processo educativo e formativo de traços de personalidade de jovens e crianças. De acordo com a Psicologia da Ideologia, formulada pelo prof. Dermeval Corrêa de Andrade: “Estes verdadeiros conglomerados de comunicação estão a produzir nas mais diferentes áreas, um lixo cultural que mantém a população envolta em superficialidades, preparando-a para a exploração de mercado, a que chamamos consumismo”.

Com isso tudo podemos perguntar: O que acrescenta às pessoas uma transmissão do UFC / MMA? Até então somente aqueles que pagavam pelo canal ou ao pay-per-view da televisão a cabo tinham acesso, agora com a rede globo, que desembolsou alguns milhões pelos direitos de transmissão das lutas, as coisas ficaram piores por dois motivos principais:

1- Um maior número de pessoas (crianças, jovens e adultos) terão acesso à barbárie sangrenta e certamente serão influenciados pela tônica (violência e sem ética marcial) deste tipo de combate. A veiculação das imagens do MMA pode incitar ainda mais a violência. São cenas que despertam instintos destrutivos e maldosos;

2- Essas mesmas pessoas (crianças, jovens e adultos) ficarão à mercê de comentários, idéias e conceitos lamentáveis, selvagens, insensíveis e sem fundamentação nenhuma de um Galvão Bueno, por exemplo. Sem falar dos outros narradores e comentaristas que pelo nível não ficam muito distante deste.

Na Roma antiga havia os gladiadores profissionais que passavam por um treinamento rigoroso antes de cada luta. A grande escola de treinamento de gladiadores chamava-se Ludus Magnus e estava localizada próximo ao Coliseu (local onde aconteciam os espetáculos sangrentos). A maioria dos gladiadores morria em impiedosas lutas pelo simples entretenimento do público. Somente os melhores eram capazes de vencer repetidamente e eram libertados. Poucos ousavam enfrentar os gladiadores, muitos deles eram escravos ou prisioneiros de guerra. Este tipo de organização nos induzem a verificar uma certa semelhança nos dias de hoje com os gladiadores modernos do MMA e seus “imperadores”, proprietários dos personagens e do espetáculo.

As diferenças entre as artes marciais tradicionais e o MMA são oceânicas. Até mesmo em campeonatos das tradicionais artes a integridade física do atleta é preservada e respeitada.

Médicos, especialistas e pessoas comuns com lucidez vêm se manifestando contra a pratica do MMA, apontando riscos tanto de lesões graves quanto de morte. Lamentavelmente já houve casos de praticantes de MMA morrerem em combate, sem contar aqueles que estão com lesões graves e permanentes. Todos estes casos são pouco divulgados pela nossa mídia irresponsável.

Em vários estados norte-americanos o MMA é proibido.Em Nova York, desde 1997 estas competições e outras atividades do MMA foram banidas. Na França, elas também foram proibidas. No Canadá, que é o segundo maior mercado do UFC, a associação médica sugeriu que o “esporte” seja banido. E no Brasil, abandonado pelo Estado e seus governantes, permitem a rinha humana, o vale-tudo das cavernas. Nossos médicos, professores e atletas brasileiros não falam nada, não criticam, parece que até gostam disto tudo. É um verdadeiro sintoma do caos que está nossa Educação Social.

Os mestres lembrados anteriormente, sem dúvida, ficariam dolorosamente desapontados com as mudanças que ocorreram no mundo das artes marciais: a crescente comercialização, a excessiva ênfase na competição, as odiosas disputas entre os estilos e os comportamentos impróprios dos praticantes de artes marciais, treinadores, técnicos e alguns professores de Educação Física. O MMA coloca o praticante no caminho que transforma e reduz as artes marciais num mero negócio.

O aluno, ao aprender uma arte marcial tradicional e autêntica, esta fazendo um investimento educacional e transformador para si mesmo. Com isso, afirmamos que um dos objetivos principais da verdadeira arte marcial é contribuir para um melhor auto conhecimento, isto é, acreditamos que a pratica de uma arte marcial (apenas quando corretamente orientada) constitui uma ferramenta privilegiada cujo uso diligente e atento permite encontrar as nossas próprias respostas para o célebre aforismo: “Conhece-te a ti mesmo”. Com muita clareza e muita firmeza somos contra a imposição primária de uma personalidade sobre outra pela força, pela violência ou pela agressividade, muito comum no universo dos praticantes de MMA.

Sem dúvida alguma, são os reflexos positivos da prática da arte marcial na personalidade que importa conscientizar e desenvolver e que devem ser considerados como o objetivo principal e prioritário da prática, e, portanto como sendo o objetivo em relação ao qual a sua eficiência deve ser avaliada, porque a não ser assim esta prática deixa de ser uma arte transformando-se num mero exercício da animalidade humana.

 

Rogério Tadeu Poian

 Professor de Educação Física e Tai Chi Chuan, especializado em Psicologia da Ideologia e Educação Social Transformadora.

 

Referências bibliográficas:

- ANDRADE, Dermeval Corrêa de.   “Educação Social Transformadora”. São Paulo, ed. Instituto Argumentos – Ciência e Cultura, 2009.

- LEE, Bruce. A arte de expressar o corpo Humano. São Paulo, ed. Conrad, 2007.

- PAYNE, Peter. Artes marciais, a dimensão espiritual. Edições delprado.

- REID Howard e CROUCHER Michael. O caminho do guerreiro, o paradoxo das artes marciais. São Paulo, ed. Cultrix, 2004.

- STEVENS, John. Três mestres do Budo. São Paulo, ed. Cultrix, 2007.

- WILSON, William Scott. O Samurai, a vida de Miyamoto Musashi. São Paulo, ed. Estação Liberdade, 2006.

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One Response to “EM QUE AS ARTES MARCIAIS MISTAS (MMA) SE OPÕE ÀS AUTÊNTICAS ARTES MARCIAIS”

  1. Importante artigo que abre os olhos do leitor e dos simpatizantes da verdadeira arte marcial frente aos MMA/UFC da vida.

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